Trinta e três anos depois, o Estado volta a nacionalizar um banco mas, desta vez, não é por motivações políticas. "Tornou-se inevitável a necessidade de uma intervenção pública", afirmou o governador do Banco de Portugal (BP), Vítor Constâncio, em conferência de imprensa conjunta com o ministro de Estado e das Finanças, para justificar a intervenção estatal no Banco Português de Negócios (BPN). Todavia, a nacionalização do banco não está relacionada com os efeitos da crise financeira internacional, mas sim "com perdas acumuladas de licitude duvidosa, que estão a ser investigadas pela Procuradoria-Geral da República", disse Fernando Teixeira dos Santos, assegurando que "não há razão para haver uma corrida aos balcões". Os clientes do banco "podem estar seguros. Nada faltará à instituição para que funcione normalmente na defesa dos clientes e depositários", acrescentou ainda o ministro de Estado e das Finanças no decorrer da anunciada nacionalização.
Segundo Vítor Constâncio, a Sociedade Lusa de Negócios, a detentora da maioria do capital do BPN, "fez um conjunto vasto de operações clandestinas que não estavam registadas em nenhuma entidade do grupo e que envolveu centenas de milhões de euros". Em causa estão perdas superiores a 700 milhões de euros, dos quais 360 milhões seriam operações virtuais feitas através do Banco Insular, um banco cabo-verdiano por onde passavam as operações offshore do BPN, entidade essa que, supostamente, não deveria ser do BPN dado que, em 2002, a instituição tinha comunicado ao BP que o Banco Insular não fazia parte dos activos adquiridos na altura. "Foi com surpresa que soubemos em Junho destas operações. Nada fazia suspeitar que estas operações pudessem existir", afirmou Vítor Constâncio. O BPN só em Junho comunicou ao BP a existência do Banco Insular. No entanto, já no relatório de contas de 2003, os auditores apresentaram reservas às contas, as quais foram investigadas pelo BP e, em 2007, a entidade supervisora nacional recebeu mesmo um documento que levantava suspeitas de fraude no banco.
No final de 2007, o BPN tinha 204 mil clientes, com recursos totais avaliados em 4,78 mil milhões de euro, dos quais 1,19 mil milhões em depósitos à ordem e 3,45 mil milhões em depósitos a prazo.
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